Projecto Marmita

Marmita já eu uso há uns aninhos. Pois é. Não pela crise ou pela poupança económica (que é considerável e um ponto importante a ponderar), mas pelo prazer de comer o que gosto e o que preciso.

Durante algum tempo cheguei a partilhar convosco as minhas marmitas sob o tema "Almoçar no Escritório". O tema volta à ribalta. Das refeições que trago, algumas são confeccionadas propositadamente, outras nascem da reciclagem de sobras de refeições e outras faço com os jantares de véspera ou sopas.

E porquê a marmita? Porque depois de dois anos a comer em restaurantes e snacks fiquei cansada de comer quase sempre a mesma coisa. Havia semanas em que pouco mais variava para além do peru e frango grelhados, peixe era coisa rara de se ver, a não ser, muito de vez em quando, uns filetes ou pataniscas ou um carapau grelhado com molho verde. O acompanhamento era sempre o típico batata frita e arroz e uma triste salada de alface, cenoura ralada e 1 rodela de tomate (era mesmo só 1 rodela...).

Ora, a experiência de comer no local de trabalho já me era conhecida. Em outras ocasiões optei pelo mesmo sistema e pelas mesmíssimas razões. Desta vez tinha outro ponto a meu favor. Trabalhando por conta própria poderia criar no meu local de trabalho um pequeno espaço para refeições. Se bem pensei, melhor o fiz. Hoje temos um cantinho pequenino, mas onde cabe um balcão com mini-bar, um microondas, uma máquina de café, uma chaleira, uma fonte de água e mais recentemente, uma torradeira. Os resultados não poderiam ser mais positivos. Não só eu, mas também as minhas colaboradoras passaram a almoçar de marmita. Poupamos na saúde e na carteira.

E como se faz uma marmita? Nada mais fácil, ora vejam:

Primeiro há que ver que condições têm para fazer as refeições no local de trabalho. O tipo de serviço, os horários e o espaço são importantes. Se o espaço o permitir, e se forem trabalhadores por conta de outrém, apresentem a sugestão à entidade patronal. Bons argumentos não faltam:

1 - Um microondas dos mais básicos não é muito caro e, quanto mais não seja, podem fazer uma "vaquinha" entre todos para a sua aquisição. Não traz despesa ao patrão e o investimento recupera-se rapidamente;
2 - O gasto energético do microondas não é considerável;
3 -  Acabam-se os atrasos no regresso da hora de almoço (e o cheiro a fritos entranhado na roupa);
4 - Pode proporcionar um convívio com resultados positivos no desempenho laboral;
5 - Come-se melhor e sabe-se o que se come;
6 - Aproveitando refeições do dia anterior, que de outra forma correriam o risco de ir para o lixo, diminuem o desperdício (deitar comida fora é deitar dinheiro fora);
7 - Não há correrias para o restaurante/snack nas horas de maior movimento, por isso comem mais descansadamente;

Reunidas as condições no local de trabalho, há que tratar da marmita propriamente dita. Escolham um recipiente com o tamanho ideal para a vossa refeição e, caso utilizem o microondas, de material adequado. As peças de vidro são mais saudáveis, mas também mais pesadas. Um termos de qualidade é bom para as comidas quentes quando não haja onde aquecer.

E o que levar? Havendo como aquecer a comida o leque de opções é imenso: tudo quanto façam em casa é admíssivel. Se não for o caso e não quiserem levar a garrafa térmica terão que se resumir a saladas e sandes, mas, ainda assim, as opções são vastas. Num caso e noutro a imaginação é o limite. Aqui ficam algumas dicas:

- Se fizerem para o jantar um estufado, façam em maior quantidade e reservem uma porção para o dia seguinte. Vai estar ainda mais saboroso, acreditem. Os assados podem não ser muito práticos, mas transformam-se rapidamente em saladas, desfiando a carne, misturando com o arroz e acrescentando alguns vegetais (aproveite e asse-os logo para este efeito).
- As saladas  podem ser preparadas de véspera (sendo verdade que nutricionalmente perdem algum valor) e guardadas na marmita no frigorífico. As folhas de alface, rúcula, etc. devem ser colocadas em último lugar, sobre os demais ingredientes para não murcharem. Também pode lavar e cortar a alface e deixá-la no frigorífico dentro do centrifugador de saladas. No dia seguinte é só acrescentar à marmita.
- Tempere a salada só quando a for consumir. Faça um vinagrete simples ou qualquer outro molho à sua escolha e leve consigo num frasco de vidro bem vedado.
- Congele. Alguns pratos podem ser congelados em segurança. Faça-o em doses individuais e retire do congelador na véspera. Faço isto muitas vezes com sobras de refeições e sopas. Nem todos os dias são iguais e naqueles em que não há tempo ou vontade para o que quer que seja é só abrir o congelador. Atenção à sopa, que depois de descongelada tem que ser fervida, uma vez que o puré "deslaça" com o congelamento.
- Atreva-se e surpreenda-se. Uma pitada de imaginação é quanto basta para transformar meia dúzia de ingredientes numa saborosa e rica refeição

Além do prato principal costumo trazer 3 peças de fruta, sempre diferentes, que vão ser divididas entre o lanhe de meio da manhã, a sobremesa e o lanche da tarde, 1 iogurte para a tarde (caseiro quando os há ou de compra sem aromas) e 1 ou 2 fatias de pão, a maior parte das vezes também feito em casa. O pão é um truque para evitar as bolachas que têm bem mais açúcar e são sempre uma tentação depois de aberto o pacote.

Na copa tenho sempre uma garrafinha com azeite e frasquinhos com sal aromatizado para os temperos das saladas, compotas, sementes de linhaça e bagas goji.

Mais dicas AQUI.
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